terça-feira, 29 de dezembro de 2009

2010: Esperança

Voltei, mas apenas para postar a última mensagem de 2009. Final de ano é uma correria danada. Nem tive tempo de sentar em frente ao computador para enviar mensagens aos meus queridos amigos. É que fico responsável pela ceia de Natal e pela comilança do dia seguinte. Sem contar que nós, brasileiros, sempre deixamos algum presente para comprar na última hora.
Bem, sem lero-lero, quero desejar a todos os meus amigos (e aos dois ou três leitores fiéis deste humilde blog) meus sinceros votos de que 2010 alguns de nossos sonhos possam se tornar realidade. Para encerrar, reproduzo o belíssimo poema de Mário Quintana, fazendo das palavras do poeta gaúcho as minhas:
Esperança
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Mário Quintana

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Punibilidade e impunibilidade


Quando os datenas da vida bradam (e babam) em seus programas de TV que o Brasil é o país da impunidade, tendo a discordar com eles – mesmo que em termos. E digo porque. Os três pês – putas, pretos e pobres – , por exemplo, não têm direito às benesses da (In)Justiça. Para eles não tem impunidade. Existe a lei. Na política, o mesmo ocorre. Nem entro nos detalhes de políticos flagrados com dinheiro em meias e cuecas. Paulo Maluf, por exemplo, o maior cara-de-pau deste país, nunca teve seus bens arrestados pela Justiça para devolver ao erário o que larapiou. (Cá entre nós, e não é pouco dinheiro não, mas as verdinhas estão todas dormindo em cofres suíços.) Agora a Justiça condena, em última instância, a ex-prefeita de São Paulo e hoje deputada federal pelo PSB, Luiza Erundina, a devolver aos cofres da Prefeitura R$ 350 mil.
A condenação de Erundina se deu porque, em 17 de março de 1989, ela publicou no jornal “Folha de S. Paulo” um anúncio da Prefeitura avaliando a greve geral – ocorrida nos dias 14 e 15 de março daquele ano – contra o “Plano Verão”, uma das últimas tentativas do então presidente José Sarney (“olha ele aí”) para salvar o Plano Cruzado. No texto, ela justificava o fato de não ter punido os motoristas e cobradores da CTMC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos) que participaram da greve geral. “Ao contrário de administrações anteriores, a Prefeitura não usou seu poder para frustrar – pela força, ameaça ou perseguição – o exercício dos legítimos direitos dos trabalhadores e da população. Essa diferença de atitudes surpreende alguns, choca outros e irrita todos quantos, no setor público ou privado, sempre procuram utilizar o Poder Público na defesa dos privilégios de minorias e não dos interesses da maioria da sociedade.” Realmente Erundina desagradou muitos e poderosos.
Quando assumiu a prefeitura de São Paulo, em 1989, Luiza Erundina herdou do polêmico Jânio Quadros uma cidade falida, com obras apenas iniciadas, muitas dívidas. Fez uma excelente administração – é claro que nem tudo é perfeito, com certeza falhou em alguma área. Por exemplo, construiu centenas de escolas públicas, cinco hospitais municipais e, o que é admirável neste país, deixou a Prefeitura com dinheiro em caixa.
Às vésperas da eleição que escolheria seu sucessor, um deslizamento de terra numa área livre soterrou moradores. A imprensa e as emissoras de TV nem piscaram para achar um culpado: a Prefeita. O povo, sempre suscetível a dramalhões e sensacionalismos, embarcou na canoa furada e elegeu Salim Maluf, que gerou Pitta, que...
Erundina foi vereadora, prefeita, senadora e atualmente é deputada federal. Seu patrimônio – o apartamento onde mora e um automóvel – não é suficiente para pagar a dívida. Assim, a justiça penhorou 10% de seus vencimentos. Pois é, este tipo de político a justiça brasileira não tarda em punir! Estão vendo, datenas, como não há impunidade neste país?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Receita ecológica para matar formigas


Formigas tomaram conta de minha casa, uma verdadeira praga. Não se podia esquecer nada na mesa, nem o açucareiro, que um batalhão invadia a cozinha. Conversando com um especialista, ele me forneceu uma receita ótima – ainda por cima ecologicamente correta. Testei e funcionou. Assim, resolvi compartilhar com os amigos. Vamos à receita:

Ingredientes:

Sal – o quanto baste
Pinga – uma boa dose
Pedaço de madeira
Pedrinha (o tamanho da pedra varia de acordo com o tamanho da formiga)

Como funciona:

Coloque o sal – em pitadas generosas – na frente do formigueiro; a pinga, próxima ao sal (você pode usar uma tampa plástica de refrigerante como recipiente); depois o pedaço de madeira e, próximo, a pedra.
A coisa funciona assim: a formiga vê o sal, pensa que é açúcar e come. Ficará com uma puta sede, com certeza, e correrá para a pinga, pensando que é água. Depois de encher a cara, já grogue, tropeçará no pauzinho. Bêbada, perderá o equilíbrio, cairá e baterá a cabeça na pedra. O acidente provocará traumatismo craniano e levará a formiga a estado de óbito. É infalível.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O sumiço de Deus


Dois irmãos viviam a fazer travessuras. Uma mais cabeluda que a outra. Toda vez que ouviam falar sobre qualquer diabrura que moleques aprontaram no bairro, os pais, calejados, sabiam: Era batata! Os dois capetinhas estavam envolvidos.
Um dia a mãe dos capetinhas soube que o novo padre da cidade era um “disciplinador”. Sua fama, diziam, atravessava fronteiras. À noite conversou com o marido e propôs levar a dupla para conversar com o padre. O marido concordou.
O padre foi procurado e aceitou conversar com os garotos. Só fez uma exigência. Receber um menino de cada vez.
A mãe levou o mais novo para a palestra na casa paroquial. O padre, um homem alto, com uma voz de trovão, sentou o garoto e perguntou-lhe austeramente:
- Onde está Deus?
O garoto abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som. Ficou sentado, com a boca aberta e os olhos arregalados.
O padre repetiu a pergunta, em tom mais ameaçador:
- Onnndeee está Deus?
O garoto ficou pálido, engoliu seco e nem murmurar conseguiu.
O padre levantou ainda mais a voz, e com o dedo no rosto do garoto berrou:
- ONDE ESTÁ DEUS?
Na primeira oportunidade, o garoto saiu da casa paroquial em desembestada correria. Entrou em sua casa e foi direto ao seu quarto, onde se trancou. Preocupado, o irmão mais velho bateu à porta, perguntando o que acontecera.
- Cara, desta vez nos ferramos. DEUS sumiu e acham que foi a gente!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

E o urubu voou mais alto


Uma campanha perfeita no segundo turno garantiu o título do Campeonato Brasileiro ao Flamengo, depois de dezessete anos. Um título merecido, que a imensa torcida rubro-negra deve, especialmente, ao sérvio Petkovic, que teve um papel mais importante que o goleador Adriano. Petkovic foi o maestro do Mengão.
O sérvio só jogou pelo Flamengo para cobrar uma dívida trabalhista. Na época em que voltou, torcida, dirigentes e comissão técnica desconfiaram. Afinal, o jogador está com 37 anos. Que nada, o homem joga – e sempre jogou – um bolão!

Socialismo verde

Ah, meu Palestra. Que decepção. A culpa pela campanha do time nesta reta final do Brasileirão cabe aos conselheiros do clube, que elegeram um socialista para a presidência, o senhor Luiz Gonzaga Belluzo. Assim o Palmeiras começou a distribuir pontos para todo mundo. Na última partida, resolveu ajudar o Botafogo a escapar da segundona. Afinal, o Bota foi nosso companheiro de série B. Se o Coringão pode ajudar o Fla, porque não o Palestra o time da estrela solitária.
Agora falando sério. Pelo futebolzinho que o Palmeiras mostrou nos últimos dez jogos, o quinto lugar ficou de bom tamanho.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Que moleza!

Encerrou-se há pouco o sorteio dos grupos para a Copa do Mundo da África do Sul. O Brasil, cabeça de chave do Grupo G, enfrentará a Coréia do Norte (jogo da estréia em 15 de junho), Costa do Marfim e Portugal. Uma moleza. Se a zebra não cruzar o caminho dos países lusófonos, Brasil e Portugal classificam-se para a segunda fase.
Azar mesmo teve a África do Sul. Cabeça de chave do Grupo A, a África encara México, Uruguai e Franca. O Grupo B será formado por Argentina, Coréia, Nigéria e Grécia – o time do comandante Maradona não terá muito refresco. O Grupo C terá Inglaterra, Estados Unidos, Argélia e Eslovênia; o D, Alemanha, Austrália, Gana e Sérvia; o E, Holanda, Japão, Camarões e Dinamarca; o F, Itália, Nova Zelândia, Paraguai e Eslováquia; o 8, Espanha, Honduras, Chile e Suíça.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Brasil: cabeça de chave


Na próxima sexta-feira, 4, a Fifa e o Comitê Organizador sorteiam os grupos da Copa do Mundo da África do Sul 2010. Hoje, foram definidos os cabeças de chave dos oito grupos da primeira fase da Copa: Brasil, Argentina, Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra, Holanda e África do Sul – esta última por ser sede do Mundial.
De acordo com analistas, se o Brasil tiver sorte, pode pegar Gana, Coréia do Norte e Eslováquia. No pior cenário, o país encararia na primeira fase França, Camarões e México. Há chances ainda de o Brasil pegar Portugal e Estados Unidos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Flaco ou Cofla?


Você deve estar se perguntando: O que é isso, Flaco ou Cofla? Explico. O título deste post deveria ser: “O dia em que o Corinthians foi Flamengo”. Mas achei muito óbvio, daí resolvi criar o neologismo que a torcida do Flamengo e do Corinthians poderiam usar para incentivar os times em campo. Sim, é isso mesmo que estou propondo, a junção das duas maiores torcidas do Brasil. Não dos times, que fique claro. Funcionaria assim: quando o Corinthians estiver em situação difícil no campeonato, ou ao contrário, precisando de um resultado positivo, o Flamengo ajuda; a recíproca é verdadeira. As duas torcidas, então, entoariam: Flacooo – ou Coflaaa. É óbvio que esta fórmula não valeria para o Campeonato Paulista e nem para o Carioca. Nos regionais, os times que se virem ou encontrem novos parceiros.
Com sinceridade, o Brasileirão está uma delícia na reta final. A cada final de semana cai um favoritíssimo ao título. No final de semana que passou foi o São Paulo, do arrogante Rogério Seni. No domingo, os cadernos de Esportes dos jornais paulistas apontavam: “O São Paulo pode ser campeão hoje”. Mas o brioso Goiás – que tem jogadores que honram as calças que vestem – tirou o pirulito da turma do Morumbi. O caneco sobrou para o Flamengo, que, aliás, contou com a ajuda de todos os santos do futebol, da arbitragem e do time adversário para faturar 3 pontinhos e ficar com um ponto a mais que Palmeiras, Internacional e São Paulo. Será que domingo cai mais um campeão certo e o título ficará com um azarão (claro que quero que o título vá para o Parque Antártica, mas não me entresteceria nenhum pouco se o Inter faturasse)?
Está tudo de cabeça para baixo, como dizia minha avó. É claro que ela não se referia ao futebol quando dizia isto, mas às moças que vestiam minissaias cada vez mais curtas. Para ela, católica até debaixo d'água, as mulheres que mostravam as pernas andavam ao lado do DEMO – não, não é o partido da Arena disfarçado de democratas e nem as moças andavam com José Roberto Arruda lá no Distrito Federal!
Foi muito estranho no domingo ver corintianos torcerem contra seu time amado, enquanto palmeirenses e são-paulinos rezavam para que o Timão batesse no Flamengo.
Coisa semelhante acontecerá com as duas maiores torcidas do Rio Grande do Sul no próximo domingo. Quem viver, verá!